Shake Shack chega ao Brasil? O desejo de muitos brasileiros vai se tornar real

Shake Shack chega ao Brasil em 2027

O Shake Shack vai chegar ao Brasil em 2027. A primeira unidade está prevista para São Paulo, e o acordo firmado prevê pelo menos 40 restaurantes até 2036. A operação ficará nas mãos da BOLD Hospitality Company, grupo responsável por marcas como Outback, Abbraccio e Aussie no país.

Esse é o maior diferencial dessa chegada, o Shake Shack entra no país com o apoio de uma estrutura brasileira que já entende logística, legislação e shoppings center nacionais.

Mas será que o movimento faz sentido ou é só mais uma entrada precipitada?

O verdadeiro diferencial inicial pode ser a BOLD

BOLD Hospitality Company, operadora do Shake Shack no Brasil

O Shake Shack nasceu em Nova York e construiu sua marca em um espaço intermediário entre fast-food tradicional e restaurante casual, apostando em produto, ambiente e hospitalidade. A identidade e paleta de cores se tornou icônica no mercado americano.

Hoje, o Shake Shack possui mais de 700 unidades globalmente e continua em expansão, mas o Brasil não estava nos planos, até que uma estratégia bem pensada e as movimentações do mercado tupiniquim foram grandes demais para ignorar.

Por isso, em vez de construir tudo do zero, a rede escolheu a BOLD, que deve fechar 2026 com aproximadamente R$ 3,5 bilhões em faturamento e segue expandindo o Outback, que caminha para chegar a 200 restaurantes no país.

Isso significa que o Shake Shack não precisa descobrir sozinho quais fornecedores funcionam, quais imóveis fazem sentido ou como contratar e treinar milhares de pessoas.

Os 40 restaurantes até 2036 também mostram uma expansão relativamente controlada. Em vez de inundar o mercado, existe espaço para testar produto, ticket, localização e formato antes de acelerar. Entre esses, o ticket é o que causará mais dor de cabeça.

Dado que o Shake Shack vem de uma proposta americana de hambúrgueres de qualidade, mas com preço acessível, além de uma identidade jovem, fica difícil prever a aderência do público brasileiro. Estamos falando de uma marca que vai ter que recriar seu produto em um país com exigências parecidas, mas com uma clara diferença na definição de "preço acessível". Será que o Shake Shack precisa diminuir a qualidade de seus hambúrgueres para se manter competitivo ou será que ele vai ocupar um lugar de hamburgueria premium que, por ter escala, não eleva tanto o preço?

Muito provavelmente, esse é o desafio que só tempo dirá, apesar de uma forte aposta pelo segundo caso, levando em consideração outras marcas do grupo BOLD.

Como vender hambúrguer para brasileiros?

Hambúrguer do Shake Shack no mercado brasileiro

O Brasil possui grandes redes, operadores nacionais fortes e milhares de hamburguerias independentes. Mas, se tratando de uma nova marca, existe uma diferença enorme entre curiosidade e hábito.

O consumidor terá que decidir entre voltar ao Shake Shack, comprar no Madero, pedir uma hamburgueria independente, o famoso "podrão" ou gastar menos em outra rede.

Qualquer marca forte precisa construir sua reputação em torno de determinados padrões de carne, pão, queijo e ingredientes precisa reproduzir essa experiência localmente. Esse é o básico, mas estamos falando de importar e localizar receitas que devem sentir exposição cambial.

Meu veredito

Veredito sobre a chegada do Shake Shack ao Brasil

Acho a entrada que merece demais nossa atenção.

O foodservice brasileiro está deixando de ser apenas uma disputa entre restaurantes e está se tornando uma disputa entre grandes plataformas de marcas, operação e distribuição.

O Shake Shack não precisa revolucionar o mercado brasileiro de hambúrgueres para ser relevante e quem acredita nisso está se iludindo. Se conseguir transformar curiosidade em recorrência e usar a estrutura da BOLD para crescer com disciplina, pode se tornar mais uma marca importante num foodservice brasileiro cada vez mais composto por grupos multimarca gigantescos.

Jean Richon
Redator — Adez Comunicação
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