Guerra dos Apps e por que seu restaurante não precisa escolher um lado
Durante meses, o mercado brasileiro de delivery tem acompanhado uma disputa cada vez mais intensa entre plataformas.
iFood, 99Food e Keeta passaram a competir não apenas pela atenção do consumidor, mas também por restaurantes, entregadores e espaço dentro de um mercado estratégico.
A disputa chegou inclusive aos tribunais. Em agosto de 2025, 99 e Keeta protagonizaram ações judiciais envolvendo acusações de concorrência desleal e restrições à atuação de restaurantes em múltiplas plataformas. Em maio de 2026, o iFood também acionou judicialmente a Keeta, acusando a concorrente de práticas de concorrência desleal e suposta espionagem corporativa. As acusações seguem sujeitas à análise judicial.
Para o dono de restaurante, porém, existe uma discussão mais importante do que descobrir quem vencerá essa guerra:
Quanto da sua operação deve depender dela?
A resposta é que concorrência pode ser uma boa notícia e não devemos transformar as plataformas em vilãs.
Marketplaces resolveram problemas importantes para o food service. Eles concentram demanda, oferecem infraestrutura tecnológica, conectam restaurantes a consumidores e, em diferentes modelos, também podem fornecer soluções logísticas.
A chegada e expansão de novos competidores tende a aumentar as alternativas disponíveis ao empresário.
A própria 99, por exemplo, apresenta atualmente aos restaurantes uma proposta baseada em baixa comissão, ausência de mensalidade e saque semanal sem taxa. A empresa também destaca acesso à sua base de usuários e à estrutura de entregadores parceiros. Essa competição por restaurantes não começou agora.
As relações entre plataformas e estabelecimentos já foram objeto de discussão concorrencial no Brasil. Em 2023, o Cade celebrou um acordo com o iFood que estabeleceu limites para determinadas práticas de exclusividade. Entre outras medidas, grandes redes com 30 ou mais restaurantes não podem estar sujeitas a compromissos de exclusividade, enquanto contratos desse tipo com marcas menores passaram a ter limitações. O objetivo declarado pelo órgão foi estimular a competição e facilitar o acesso de outros aplicativos ao setor.
Para o restaurante, mais concorrência pode significar mais possibilidades — e isso deve ser aproveitado.
O problema começa quando se fala em dependência
O restaurante pode trabalhar com marketplaces, aproveitar campanhas, testar novos canais e negociar condições comerciais, mas existe uma diferença entre usar uma plataforma e ter o negócio dependente dela.
Quando uma parcela muito grande da venda digital depende de terceiros, algumas decisões importantes deixam de estar integralmente nas mãos do empresário.
A taxa pode mudar.
A campanha pode mudar.
A exposição dentro da plataforma pode mudar.
As condições comerciais podem mudar e o restaurante precisa se adaptar.
Essa é talvez a sensação mais desconfortável para quem construiu uma operação: perceber que uma parte relevante do próprio faturamento está condicionada a regras sobre as quais possui influência limitada. Que fique claro, não significa que os aplicativos devam ser abandonados, mas sim que eles não podem ser a única resposta.
A guerra dos apps pode induzir o empresário a acompanhar cada nova condição comercial e tentar descobrir qual plataforma será a vencedora. Só que a resposta para isso é volátil — o aplicativo que oferece melhores condições hoje pode não ser o mesmo amanhã.
A plataforma com maior demanda em determinada região pode não apresentar o mesmo desempenho em outra, e incentivos de entrada precisam ser analisados ao lado de volume, margem, logística e retenção.
Em outras palavras, não basta escolher quem oferece a proposta mais atraente no curto prazo. O empresário precisa construir uma operação capaz de continuar forte quando o mercado mudar novamente. Por isso, recomendamos uma terceira via: o delivery próprio.
O delivery próprio e os marketplaces não precisam ocupar lados opostos
Antes, o delivery próprio era uma tarefa árdua que os marketplaces facilitaram, mas hoje há ferramentas que simplificam isso e dão autonomia ao restaurante, como a Brendi.
Os marketplaces podem continuar funcionando como importantes canais de descoberta, conveniência e aquisição de clientes. Já o canal próprio, por sua vez, cria um ambiente no qual o restaurante consegue desenvolver diretamente sua marca, sua experiência de compra e, observadas as regras de proteção de dados, seu relacionamento com a própria base.
É uma lógica de diversificação: a ideia não é excluir, mas acrescentar e ganhar autonomia no processo. Esse talvez seja o ponto mais importante. Criar um canal próprio não exige abandonar iFood, Keeta, 99Food ou qualquer outro marketplace relevante para a operação. Pelo contrário.
Um restaurante pode utilizar a capacidade de aquisição dos marketplaces enquanto desenvolve paralelamente um ativo próprio. Essa mudança parece pequena, mas altera a posição do empresário. Ele deixa de apenas reagir às transformações do mercado e passa a construir suas próprias opções.
É nesse ponto que soluções como a Brendi podem entrar. A empresa oferece infraestrutura para que restaurantes desenvolvam seu próprio canal de delivery, com cardápio digital, pedidos e atendimento pelo WhatsApp, além de recursos voltados à recompra e fidelização. A própria Brendi tem integração com iFood e 99, assim restaurantes podem continuar utilizando marketplaces para aquisição enquanto desenvolvem seu canal direto.
Não se trata de escolher um lado da guerra.
Trata-se de garantir que, independentemente de quem estiver vencendo, o restaurante tenha cada vez mais controle sobre o próprio jogo.